segunda-feira, 21 de março de 2022

Hidden Figures


Um dia incomum, próspero às satisfações da carne cuja latência expressa o anseio constante pelos mais impuros pensamentos; o pecado percorre as veias como oxigênio, nos mantendo vivos. A plena ideia das fantasias nos torna ávidos pelo desejo. Eu sento na poltrona, tenho meu livro em mãos, onde perpasso todas as voltas do teu corpo, te cubro de carinhos e carícias dos pés à cabeça. Imaginação e fluidez, fluidos e desejos e o desejo pinga.

Em tantas voltas, percorres meus pensamentos como quem flutua entre as nuvens do amor, teu perfume que toma conta do ambiente e provoca o mais íntimo do meu ser. Esvoaçante pelo corredor, vejo tua silhueta em direção ao quarto, enquanto fecho meu livro e apago meu cigarro, sigo-te como quem está à caça, sabendo que ante tua fúria de leoa, eu sou a presa. Paro na soleira da porta, vejo tua taça de vinho e teus lábios ainda molhados pelo adocicado das uvas, ode à Dionísio, nosso grande deus do vinho.

Na tua direção, minha respiração já muda, sinto os músculos do meu corpo tesos; o arrepio que percorre cada parte do meu corpo torna perceptível a condição polimórfica dos mais profundos desejos. Sinto tua respiração mais forte, enquanto me aproximo, identificas no meu olhar tudo o que eu quero, todos os meus desejos. Eu deslizo as mãos entre os teus cabelos e te seguro firme, puxando teu corpo contra o meu. Tua respiração mais forte mostra a tua sede de algo que não é mais o vinho.

Seguro firme teu corpo contra o meu, quero que me sintas duro, forçando contra a tua pele enquanto minhas mãos percorrem tuas curvas em busca do prazer infinito. Tenho sede da tua boca e dos teus lábios. Quero verter do teu sexo todo o líquido que eu puder absorver, beber da flor dos teus desejos o mais puro néctar, sentir a tua boca percorrendo meu pau, tuas unhas arranhando a minha pele, me segurando forte pelo pescoço.

Te quero escorrendo na minha boca: a única forma de satisfazer a minha sede. Quero me sentir abrindo espaço entre as tuas entranhas, bem fundo, enquanto tuas coxas envolvem meus quadris. Sentir teus pés tocando as minhas costas, enquanto procuro os teus olhos. Te apoiar de frente para a janela, puxar forte teu quadril enquanto admiras a imensidão da noite.

Teu corpo estremece enquanto gozamos.... Desfalecemos entregues aos sonhos. Vejo teu cabelo bagunçado e com um sorriso torto de presa satisfeita, me delicio com os encantos da tua bela imagem.




sábado, 19 de março de 2022

You.... Imperativo categórico.

Vem aqui e beija a minha boca. Segura forte os meus braços e me arranha com as tuas unhas afiadas. Perturba meu sono com os teus barulhos esvoaçantes das roupas esfregando pela cama, arranha as portas como se em um filme de terror, me arrebata os sentidos com o gosto do teu sexo, pelo cheiro da tua boca ardente. Esfrega teu corpo no meu. Quero o tormento do tesão ante a minha sôfrega resposta às tuas manchas de batom pelo meu corpo, pois é no íntimo da alcova que os sonhos mais depravados se tornam realidade, quatro paredes são a morada do pecado, pois enquanto observo a existência da minha filosofia depravada, imagino as curvas do teu corpo tomadas pela minha boca e pelas minhas mãos. Tocar tua pele como toco um livro. Aos poucos, passando a mão pelas costas, descendo pelas pernas, subindo pelas coxas até encontrar o mais simples vértice da lombada deste corpo-livro ao qual anseio devorar a cada instante. Tua imagem é suficiente para despertar meus mais profundos e secretos desejos.

Teus lábios escorrem enquanto nossos corpos se esfregam; meu sexo duro, implorando o toque da tua boca, tua saliva escorrendo, teu desejo pingando na minha boca; corpos trêmulos num esvoaçar do desejo constante, from dusk 'till dawn. I just want you. That's true. I want it all, by the way. Corpo e alma; alma e desejo. A constância perversa dos mais secretos dos nossos desejos, mistura homogênea de amor, carinho, tesão e desejo...

Meus lábios ainda molhados do teu sexo querem segurar um cigarro e eu perceber a fumaça subindo enquanto um gole quente inebria meus pensamentos e minha existência. Sorver do gole gelado que percorre as entranhas ao abrir espaço entre os
meus desvarios para o próximo toque desse sonho-realidade. Just take my hand and I'll carry you through the depths of myself.

O desejo escorre nesse doce tormento!


sexta-feira, 18 de março de 2022

Always on my mind

Com o gracejo do olhar, com a ideia do cheiro e assim me tomas de assalto em direção às delícias dos corpos. Penso no cheiro do teu corpo, no toque da tua mão From dusk 'till dawn. Quero agora e eu preciso sempre, como um viciado atrás de mais uma dose daquilo que o satisfaz.
Nesse jogo de olhares, tomas meu corpo de assalto e meus pensamentos mais lascivos vem à tona no sorver quente de uma bebida forte! Quero a bebida do teu corpo, sentir tuas mãos e teus pés se esfregando em mim, sentir teu coração batendo enquanto te envolvo num singelo abraço. Da luxúria ao romantismo em um piscar de olhos.
Quero o gosto da tua boca, o cheiro dos teus cabelos, o gosto dos teus lábios......All of them.

quinta-feira, 17 de março de 2022

Sobre a lembrança.... Pequenos pensamentos.

Mesmo se fosse possível, eu não te esqueceria. Me pego pensando sem mais nem menos, num turbilhão de ideias, e tua imagem passa esvoaçante ante meus olhos, tomando conta dos meus dias.

Poesia alguma seria capaz de descrever uma sensação tão pungente. E entre as linhas da minha imaginação, perco-me na fusão com as linhas da tua existência.

Desfolho em palavras sensações tão singelas e pecaminosas, envoltas pela luxúria da existência, como os dedos escorrendo pelo corpo... While I miss you.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Glances

Escrutino teu olhar em busca de algum glimpse que me faça esquecer tudo ao redor, não importa a hora ou o momento, existe apenas o momento. Naquele pequeno espaço, quero vislumbrar cada canto do teu rosto, sentir o cheiro do teu perfume; enquanto sentes meu cheiro de cigarro e perfume. Meu hálito quente esvoaçando pelo teu pescoço, tua pele próxima à minha, minhas mãos tocando a tua cintura e, ao fundo, está tocando my fairy king. De novo, de novo e mais uma vez. Queen sempre teve um lugar importante na minha vida, sempre foi a trilha sonora das minhas histórias e, não diferente, toca um disco baixinho ao fundo, arranhando na vitrola a modernidade da gravação eletromagnética cujo atrito é responsável pela execução da música.

Quero mais! Quero Tudo!

Procuro nos movimentos da tua boca a expressão de uma sensualidade latente, de algo indescritível sobre a ótica tradicional. Transcendo. Transmuto eu mesmo em uma imaginação correspondente à luz que emana da tua presença. Eu sento aqui e te espero, fico observando as coisas ao redor enquanto tudo se dissolve perante tua presença. Não sei explicar ao certo, também não entendo ao certo, mas a compreensão exata das coisas deveras não me é interessante, sou apegado à poesia e à prosa, gosto dessa presença.

Vivo a fantasia de te observar enquanto minhas mãos percorrem teu corpo, meus lábios descobrindo o calor da tua pele... Entropia, eu desejo o caos da troca de fluidos à ordem da realidade. And I always have to wait for the next time!

 

terça-feira, 9 de março de 2021

Lápis e tinta

         
As vezes tenho vontade de apenas sentar e escrever; escrever meio que sem rumo, intransitivo, sem algo em mente, apenas a amplitude da divagação livre. E nessa vontade, repousa em mim a representação de tudo o que sou: um emaranhado infinito de desejos e amores. Desconheço forma, tampouco desenho descritivo, não sei desenhar, se soubesse provavelmente o desenho fosse apenas abstração cíclica, aporia contempladora; como que prostrado ante uma gravura surrealista cuja forma imprime o conteúdo em si mesmo.

    Então este desenho desdobra em si mesmo um desmanche da significação anterior, porém há certo charme nesta convicção, arguta imagem a se formar diante dos olhos. Porém é possível apenas contemplá-la, sem de fato a tocar – não, não, como disse, não há rumo ou sentido, tampouco contemplo este quadro da mesma forma como observo um outro retrato.

    Imagem gravada na retina, magnificência vacante, um vazio ocupado por tanta presença, mas neste desdobramento, considero e reconsidero a implicatura de uma presença tão constante e tão eterna. E me perco nessa presença maravilhosa, e a imagem, em si, não foge ao olhar; sorriso perpétuo, seios palpitando, qualquer forma deste corpo tão reluzente, já que nesta imagem resvalam as formas de todo o erotismo das minhas lubricidades.

    Só que nesta jornada, entre fio e malha, despontam tantos e fios e laços. Como disse, apenas escrevo sem rumo, não sigo em direção a um ponto em específico, mas, sim, trilho o caminho, apenas, um caminho sem rumo e sem sistemática, observando as imagens que  se montam ou remontam no decorrer do caminho.

    Então penso que o trilhar, diferentemente da simples sistematização do olhar não é dado pela plenitude da técnica, mas pela simplicidade do gesto; lugar de repouso para a magnitude fundamental de qualquer teoria desenvolvida em nossas letras.

    Quero ser real! Quero compor esta imagem sublime, descabida e perfeita, anseio por ser traço e não sombra, brilho gestual e cintilante: luz. A mesma luz que adentra a fresta da janela, raio solar ofuscante a iluminar a pele e os olhos; buscar entre os cabelos a amplitude pacífica da pele. Papel tão cheio de realidade, confissões rabiscadas no canto da página, completo ensaísmo construtivo onde repousa a matéria de tanta inspiração. Não formo apenas uma malha uniforme, presto contas a mim mesmo, sinto-me em dívida com um certo eu que, jogado em um grande hiato, padeceu da minha melancolia, oprimi a mim mesmo em uma caixa sob a justificativa de proteção. Não apenas isso, pois desse hiato, não fui eu mesmo quem me tirou. Articulo as palavras com certo engasgo arquitetado de um grito feliz, pois fui tirado dessa caixa, atento ao resgate que me circundava, em um espetáculo esperançoso.

    Eu deixara a força de lado e não tive coragem, nem quis tê-la, foi-me necessário ser tirado de lá, assistindo atento o gesto que me circundava, com a luz tênue e poderosa de tantos belos sentimentos.

    Entretanto, nesse canto encanto versos embalados e sentimentos embalsamados, percebi que nas mãos, assim como os estigmas de cristo, brotavam belos nenúfares que, como tomando o corpo inteiro, representavam em si o florescer da esperança renovadora, não sei ao certo o momento em que aconteceu, mas sei bem como o jardim se tornou espesso e colorido. E em solo seco de oásis no deserto, milhares de novas pulsações criaram um rasgo, pois a aridez deu espaço ao gramado verde, gramínea, flores e pássaros. No deserto deste poento caminheiro, trilharam espaços repletos d’uma natureza sem igual, irrestrita, irrepreensível, tua natureza que junto a mim dá esse ar de completude.

    Volto no tempo e relembro tantos acontecimentos, tantos dias de miséria ignóbil e oblíqua, pulsação enfraquecida em alguma espécie de langor, café aguado ou chá sem gosto, remonto cenas ao pegar os negativos da memória e recortá-los antes de, novamente os encaixar na busca por algum sentido ou alguma linearidade, mas há tantas memórias de tantos passados sem sentido, há apenas algo cujo referencial exprime a noção cadavérica e volátil do abismo, do exílio mental da prisão sem grades.





quarta-feira, 3 de março de 2021

non-sense

    Fervia a água na chaleira: apitava. A colher de ervas jazia no fundo da xícara, pensamento comum, afoito e distraído. Fumava, enquanto organizava mentalmente meia dúzia de versos e um punhado estranho de estrofes perdidas. Poesia ventriloquista, muda, concisão; concatenação, nem bem sabia, mas era possível perceber que o gesto, em si - esse carregado de suma importância, pois tudo fazia sentido, mesmo na ausência desse – soaria poético não importasse qual a significância. Aconteceu assim, numa madrugada ensolarada, em plenitude complacente entre desajustado e sério, repleto de nostalgias tão verdadeiras quanto o doce sabor de cada palavra.

    Percebia que o barulho da água não passava de apenas outro ruído imaginário estampado em um semblante colorido da janela a mostrar o pôr do sol. Um rivotril e uma água. Panacéia, alguns diriam. É, é confuso circunscrever minha vênus adornada, pintada dionisiacamente em um papel levemente amassado, porém nada o vale se não for plenamente obstante às tuas formas. Sentei-me molhando os pés em versos soltos e algumas rimas diletantes, embriaguei-me na torpe sentinela de minha própria vivência: eu mesmo.

    Quantas ênfases são necessárias para a diabólica eloquência amorosa transformar-se em pura poesia escrita na tua pele?

    A água quente queimava as folhas de chá, uma mistura aromática de camomila e cravo. Mistura meio oriental, meio alguma outra coisa. Infusão abreviada, calmante-estimulante. Devassa memória fragmentária que não me permite a elocução plena de uma narrativa constante. O disco tocava alguma música desconhecida e eu lembrava do teu corpo junto ao meu, tuas mãos tocando meu peito enquanto me devoravas com teus olhos cintilantes de quem escrutina minha alma em busca de si mesma.

    Essa alma tão espelho, alma cósmica transportada a ti desde o início dos tempos, desde o momento inicial da fragmentação. Tal apologia platônica que nos desenha de forma tão igual e complementar. 

    Naquele dia vesti-me demoradamente, franzi o cenho em buscas de respostas dentro de mim mesmo, contudo as mantive ordenadas aleatoriamente – há ordem no caos. Um passo de cada vez, alguns diriam, enquanto meu desejo era correr; corria, pois sabia qual era o destino. Pela primeira vez eu desconfiava qual seria a repercussão das atitudes. E naquele dia fiz algo por mim mesmo, embarquei como quem esquece o resto do universo.

    O chá esfriando, música tocando e eu sorvendo calmamente goles de versos incontestáveis em ritmo melancólico, mexo as folhas, pensando qual seria a previsão de uma vidente nas folhas ao fundo da xícara. Mentira, eu não uso xícaras, prefiro canecas. Formato arredondado e mais retilíneo permite a conservação do calor, fora a praticidade e o elemento principal, uma alça onde os dedos não fiquem desconfortavelmente colocados.

    Os carros passavam em alta velocidade pela avenida, pensamentos rodopiantes, dançarinos incrédulos do poder devastador de tantas fumaças; a concepção terrena simplesmente delineada pelos meus dedos enroscados nos teus e sabíamos não temer mal algum, estávamos seguros no finito-infinito da embriaguez urbana. Engraçado como histórias de amor tendem a começar em cenários bucólicos e desprovidos de cimento...




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Caminho

    I’ve been wandering. Qual trajetória complacente reproduz em sua plenitude o bem estar característico da poesia? Esta história não é real, nem ficcional, ela transita entre planos; em uma relação binominal como “real/ficção”, esta história é exatamente a barra divisória, é o entre lugar. Representa fuga da realidade, representa a distância entre o objeto e o toque do espelho, um espelho que traduz, comunica e realiza sentidos, desfaz-se na plenitude dele mesmo qualquer objeto receoso de caracterização.

    In this mirror there is a whisper, an eternal whisper. Teu sussurro docemente traçado por toda a trajetória de duas vidas incomuns, unidas apenas pela constante distância. Caminhos opostos, formas traçadas abruptamente contrárias, delineadas em passeios voluptuosos pelos vales de lamúria, crise e desconsolo. Pois é, bem sei todas as características da existência e do imperativo categórico de todas as nossas noções. Porém deslizo o dedo pelas prateleiras e vejo traços poéticos, abro a porta e vejo o espelho ao fim do corredor, parede vazia, corredor pequeno de espaço dobrado.

    I walk in its direction, I touch it with the tip of my finger. Sinto o toque crescente do outro lado, embalo um tracejado imaginário, pensando na presença do outro lado. Então faz-se novamente presente um sussurro de magnífica amplitude, sussurro abrangente, constante. Não, não há grito capaz de abafá-lo, não há ruído em tamanha plenitude. O whisky desce pela garganta, adentra o estomago, traço quente, queimadura fatal alcoólica de pensamentos constantemente inebriados pelos traços ausentes da tua eterna presença.

    I wanna scream. Toda atitude embalsamada pelo árido seco da garganta a sussurrar. Sussurrar alguma poesia perdida em um canto de página, alguma lembrança, uma olhadela ao chão por pura falta de coragem. Timidez disfarçada de altivez. Máscara despedaçada, jogada em um canto qualquer de qualquer espaço; partículas do que fui sem o querer, partículas de mim mesmo, criadas em dissonância ao arpejo significativo de uma melodia meticulosamente desenhada.

    It’s been a while since I thought about you. Nunca é suficiente, sempre a sussurrar tua melodiosa voz, em teu melodioso canto. Em todas as formas, não há contratura linguística suficiente para descrever qualquer arroubo dissonante de uma consonância entre as coisas existentes, mas há, sim, uma fração abandonada na plenitude da poesia, um espaço idealizado, sonhado, cuidadosamente desenhado em um vácuo tremeluzente; entre lugar primordial de toda a nossa existência; hiato, distensão; ruptura.

    There’s a breach on the reality’s veil. E eu não me importo, coloco meus dedos nodosos, cansados e o rasgo. Desmonto ele à procura concreta do sussurro esvoaçante trazido pelo vento, mar, terra e rios. Traço pinturas invisíveis, indivisíveis, mistura pós-moderna de saudade com encantamento; desenho as notas simbólicas de tantas canções nunca cantadas, ritmos jamais ensaiados.

    Where does it take, this path? Ao mesmo tempo em que traceja o nada, permeia o tudo, a cisão completa e definitiva de todas a (im)possibilidades criadas e recriadas, permanente constituição abstrata de tantos sonhos. Se há alguma possibilidade de suspender o espaço tempo e habitar o eixo do paralelismo semântico, eis o momento, eis a elevação simbólica, ruptura (in)concreta das possibilidades. A terra segue seu rumo, o vento abriga o desejo. Entre a leveza e o peso, nossa poesia é o amalgamado dos sonhadores.